sábado, 22 de novembro de 2025

ESTRELAR


Tenho nome de estrela,
mas não por isso
sou Poeta das Estrelas.

Tenho estrelas no estômago,
tenho estrelas no coração,
tenho estrelas na alma.

Tenho estrelas na cabeça,
tenho estrelas nas mãos,
tenho estrelas nos pés.

Tenho estrelas nos olhos,
tenho estrelas nos ouvidos
e sobretudo na garganta.

Alcíone Pimentel 

POEMA PANDÊMICO


Que sem se tocar
a gente se toque...

Alcíone Pimentel 

CONSELHO

Escreva-se.

Alcíone Pimentel 

ESCREVER


Ato personalíssimo.

Alcíone Pimentel 

SEVERIDADE


O Senhor da Paz,
em contraponto
ao General,
sempre tão ausente,
quase inexistente,
foi quem se apresentou
no pior momento,
com uma frase,
como porto seguro.

Alcíone Pimentel 

domingo, 16 de novembro de 2025

À MESA NO CIO


Olhos presos às mãos
revelam pensamentos.
Olhos presos à boca
revelam pensamentos.
 
Pensamentos escusos
escudados
em palavras
obtusas...
 
Pensamentos se revelam
em sorrisos.
Pensamentos se desenham
no ar...

Alcíone Pimentel

 

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

terça-feira, 4 de novembro de 2025

QUARENTENA


Nesse mundo novo, 
transformado e transtornado 
de repente e sem aviso (?), 
quando o mundo em que eu nasci 
deixou de existir...

Nesse mundo estranho 
e sem abraços, 
em que a única certeza 
é a incerteza...

Nesse mundo de pesadelo, 
de insegurança e de medo, 
de angústia e desorientação, 
de apego e desapego 
e de imposta auto reflexão...

Nesse mundo de cabeça pra baixo 
e virado ao avesso, 
onde faltam abraços 
e sobram saudades...

Nesse mundo insano e sem festas,
onde nos sentimos perdidos,
onde estamos juntos separados 
e separados juntos...

Nesse mundo confuso e complicado,
onde avós fogem de netos 
e netos fogem de avós, 
por amor...

Nesse mundo de extremos, 
onde a idade nos separa, 
onde se esquiva do abraço 
de uma criança...

Nesse mundo de tristeza e preocupação, 
de encontros, desencontros e separações,
onde afastamento é prova de amor...

Nesse mundo desconhecido, 
de descobertas e redescobertas,
de abraços ausentes 
e excesso de ansiedade...

Nesse mundo apocalíptico, 
que cobra distanciamento 
e exige introspecção...

Nesse mundo em crise, 
de fim e recomeço, 
de rever conceitos, 
redefinir prioridades 
e atualizar definições...

Nesse mundo insano e surreal, 
de esperança e espera 
de um novo normal 
(seja lá o que isso for)...

Nesse mundo de abraços proibidos 
e solidão compulsória, 
onde o isolamento é obrigatório 
e a união também...

Nesse mundo onde somos
impedidos de nos tocar 
e forçados a nos enxergar, 
a enxergar o outro, 
a existência do outro, 
a vulnerabilidade do outro, 
a dor do outro...

Porque a dor do outro, 
num efeito dominó ou borboleta, 
de um jeito ou de outro 
um dia há de me encontrar... 

Que o legado involuntário 
para a Nova Era seja esse: 
a impossibilidade 
de ignorar o outro.

Alcíone Pimentel

TUAGE


À toa, 
construindo uma narrativa,  
por décadas...

Na primeira era proibido.
Eu nem sabia.

Na outra, coisa de marginal. 
Nem passava pela minha cabeça. 

Na seguinte, 
símbolo de rebeldia.
Transgressão.
Me atraía.
Mas havia a aversão 
ao irreversível. 

E então na próxima, 
quando eu já sabia o que queria, 
restava somente o medo da dor, 
que me impedia.  

Nesta então, 
com uma mão e uma garantia, 
finalmente tomei coragem e fui.
Agora faço parte do clube. 

Alcíone Pimentel 

sábado, 1 de novembro de 2025

A FORÇA CONTIDA


Ainda está aí.
Escondida aí dentro.
Apenas está assustada.

Perdeu o chão
junto com a ilusão
de que tinha o controle.

Mas ela é forte
e logo vai descobrir
que não precisa desse chão.

Porque tem uma Mão
a lhe sustentar.

Logo vai perceber
que a sua força está
em não precisar controlar,
em não precisar se preocupar.

Que a sua força está na Força.
Que a sua força está em crer,
confiar e descansar.

E aí, então,
ela vai voltar com tudo.

Alcíone Pimentel

POR DENTRO


Primeiro mandamento: 

Não permitirás
— sob nenhuma
circunstância —
que morra a poesia.

Alcíone Pimentel