terça-feira, 17 de março de 2026

NADA


 
Já vivi tanta coisa nessa vida...
 
Assisti tantos filmes,
ouvi tantas canções,
cheirei tantos perfumes...
Perdi as contas
de quantos livros já li...
De quantos poemas já escrevi...
De quantas vezes me emocionei
assistindo um filme, uma novela...
Ouvindo uma canção...
 
Ah! Quantas canções já me arrebataram!
Quantas personagens já me fascinaram!
Quantas personagens já me encantaram!
Quantas histórias já me eletrizaram!
Quantas histórias já me encantaram!
Quanto a vida já me fascinou!
 
Já me extasiei
com o pôr do sol e com o mar.
Já me fascinei pelo mar e pelo sol.
Já me encantei
com coisas insignificantes.
Já me encantei e me desencantei
mais vezes do que seria sensato.
 
Já cuidei.
Já fui cuidada.
Já fui princesa, patinho feio,
rainha, bruxa e gata borralheira.
Já fui estrela, deusa,
feiticeira e fantasma.
 
Já acreditei em contos de fadas.
Já construí castelos de areia.
Já mergulhei de cabeça
em poço sem fundo.
Já embarquei em barca furada
como se fosse tábua de salvação.
 
Já ansiei loucamente pelo impossível.
Já suspirei de alegria e de tristeza.
Já me apaixonei.
Já entreguei meu coração
sem restrições
a quem não merecia.
 
Já me entreguei com uma entrega
que ninguém mais saberia.
Já sonhei, já fui acordada.
Já vivi num pesadelo, já acordei.
Já flutuei nas nuvens.
Já caí das nuvens.
Já tomei banho de água fria.
 
Já vivi conto de fadas.
Já vivi filme de terror.
Já fiquei em estado de graça.
Já entrei em pane.
Já amei incondicionalmente.
Já amei de tantas
diferentes maneiras...
E sempre com tanta intensidade...
 
Já me joguei de cabeça
e mergulhei fundo sem saber nadar...
Sem rede de proteção...
Já apostei todas as minhas fichas
sem saber jogar.
Já me agarrei à dor
como um bote salva-vidas.
Já senti todos os tipos de sentimento.
 
Já acreditei, já desacreditei.
Infinitas vezes.
Já perdi a esperança muitas vezes...
E já reencontrei outras tantas.
Já vi minha ingenuidade ser destruída.
Já tive ilusões e desilusões.
 
Já tive o coração despedaçado.
Já engoli tanta coisa até sufocar.
Já me estiquei até quase
me romper ao meio.
Já me desesperei.
 
Já sangrei de todas as maneiras.
Já quis ser uma planta.
já quis morrer, mesmo sabendo
que a morte não existe.
Já renasci tantas vezes...
 
Já coloquei minha vida
nas mãos de outra pessoa.
Já vivi a vida de outra pessoa.
Já recebi gestos inesperados
de pessoas inesperadas...
Já derramei um rio de lágrimas.
 
Já vivi emoções tão fortes
a ponto de pensar
que o coração explodiria.
Distribui beijos e abraços
sem economia.
Fui (e sou) mãe
de todas as maneiras possíveis.
E mulher também.
 
Tive meus momentos.
 
Então porque
às vezes ainda
me sinto assim?
Como se não existisse?
Como fosse nada?
Como se não tivesse
valor algum?

 Alcíone Pimentel

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