NÃO QUERO MAIS BRINCAR DE SER GENTE GRANDE
Quero ser criança de novo,
poder mostrar-me como sou.
Ter crises de egoísmo,
de ciúme e de choro
sem ninguém reparar.
Ser autêntica, egoísta,
manhosa e ciumenta
e todo mundo achar normal.
Chorar quando tiver vontade
sem ninguém estranhar.
Fazer tudo que quiser
sem ser julgada.
Sem hipocrisia, sem culpa,
sem medo, sem nada.
Não entender por que os adultos
complicam tanto
se tudo é tão simples.
Ser de novo criança
pra poder acreditar
que não existe bicho-papão.
Quero ser de novo adolescente,
pregar (e acreditar) a liberdade,
o amor livre, a era de aquarius,
o ninguém é de ninguém.
Ser liberal, rebelde sem causa,
por regra ser contra as regras
e por regra admirar e defender
tudo que é diferente.
Poder ser hippie, roqueira,
bicho-grilo e perua,
tudo ao mesmo tempo.
Pertencer a todas as tribos
e a nenhuma.
Ser única, exclusiva
e chocar por puro prazer,
sem medo de julgamento.
Misturar espiritualismo,
socialismo, anarquismo...
Acima de tudo acreditar no Bem,
no ser-humano, na humanidade,
em todas as formas de amor.
Acreditar-me invencível
e que nunca nada de mal
vai acontecer.
Ser de novo adolescente
pra recuperar a ingenuidade.
Não ter que engolir
as tantas violências
que todos os dias me invadem
os olhos, os ouvidos, a alma.
E sequer saber da sua existência.
Poder navegar pela vida,
criança-adolescente
brincando, experimentando,
usufruindo, crendo...
Sem medo nem culpa,
sem responsabilidade
pelos erros de ninguém.
Responsável unicamente
pelas minhas escolhas.
Desconhecer o significado
da palavra coerência.
Não me preocupar
com o que vão
pensar de mim
(ninguém).
Nem precisar encontrar
um sentido na vida
a não ser
viver.
Alcíone Pimentel
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